Líder da Pastoral da Criança chora a morte de seus filhos em Gravataí-RS

O barulho provocou um arrepio estranho em Andréia Fátima da Silva, 34 anos. Pareciam tiros. Ela ouviu dois claramente. Temeu uma cena trágica. Naquele momento, pouco depois das 22h de quarta-feira, seus dois filhos Deivid, 13 anos, e Robert Silva da Cruz, 15 anos foram executados na Rua Estrela, entrada da Vila Arinos, algumas quadras longe do casebre da família, em Gravataí-RS.

“Eles não queriam ter regras. Lutei muito para eles não seguirem esse caminho, mas acabaram do jeito que eu mais temia”, admitiu a mãe.

Na memória dela não estava mais a infância de Deivid como coroinha, ativo na igreja. Nem o Robert que vislumbrava uma chance como modelo. Estava a cena dos dois meninos caídos no chão de terra. O mais velho levou quatro tiros – pelo menos um na cabeça. O menor, que aparentemente tentou fugir do executor, levou sete tiros pelas costas. Poucas horas depois, enquanto os peritos ainda estavam no local, Elivelton Simões Mendes, conhecido como Buiu, 18 anos, voltou ao local e foi apontado por testemunhas.

Interrogado, confessou o crime. Alegou ter sofrido ameaças quando foi comprar drogas. Teria voltado à cena para buscar a pistola. A arma não foi encontrada, mas a audácia do jovem continuou. No DML, Buiu ironizou o pai das vítimas, que tentou agredi-lo: – Tu é bem valentão, né…

Para a polícia, a execução foi um acerto de contas do tráfico. Há alguns meses, a Brigada monitorava Buiu como suspeito de comandar a venda de drogas entre as vilas Arinos e Tom Jobim. Os dois adolescentes, que estariam traficando, teriam dívidas.

Garotos preocupavam os pais e haviam largado os estudos

Os dois preocupavam a mãe, que é voluntária na Pastoral da Criança, e o pai, lavador de carros. Há quatro meses, Deivid passou alguns dias na Fundação de Atendimento Sócio-educativo (Fase) ao ser flagrado com drogas. Em seguida, Andréia procurou a polícia e o Ministério Público e pediu que os dois fossem encaminhados à Fase.– “Se estivessem lá, não estariam mortos agora”, lamenta.

Os dois garotos têm um arquivo extenso no Conselho Tutelar. No ano passado, abandonaram os estudos.– “Em geral esses casos se dão em famílias desestruturadas. Não é o caso. Essa mãe é realmente dedicada. Correu atrás de todas as soluções para os filho. Infelizmente, o final foi este”, diz a conselheira tutelar Lorena Brandini.

 

Fonte: Jornal Zero Hora Online – 03/06/2011

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