A Pastoral da Criança da Diocese de Piracicaba completa 25 anos

A médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns e o irmão, D. Paulo Evaristo Arns, então Arcebispo de São Paulo, começaram um trabalho de busca para saber as causas das mortes e descobriram que havia má orientação da gestante. Muitas mães e crianças morriam. A diarréia matava muito. Foi introduzido o soro caseiro, a multimistura. Mas a Dra. Zilda Arns percebeu que não bastava dar o soro caseiro. Segundo a médica, “era preciso, também, ensinar as mães a importância do pré-natal, o aleitamento materno, a vacinação, o desenvolvimento integral das crianças e as relações humanas, afim de que elas soubessem e fossem estimuladas a cuidar melhor de seus filhos”.

Segundo Antonia Quagliato, coordenadora da Pastoral, em Rafard, no município havia muita criança desnutrida e a multimistura foi muito útil. “Foi um santo remédio e hoje usamos também nas pessoas idosas e pessoas que fazem quimioterapia”, conta.

A Pastoral da Criança de Rafard atualmente trabalha com gestantes e crianças de 0 a 6 anos. Toninha brinca dizendo que hoje precisam diminuir a alimentação das crianças atendidas porque, segundo ela, estão ficando acima do peso. Para a presidente, o ótimo trabalho de atendimento à gestante que é feito pela Unidade Mista de Saúde de Rafard, é muito importante.

A pastoral conta no momento com 12 líderes capacitadas. Dessas, 9 registram mês a mês cada família visitada, passando todas as informações necessárias e tirando qualquer dúvida em relação a doenças como pneumonia, anemia, dengue e outras. Toninha explica que as líderes trabalham muito e que o trabalho depende muito delas. A coordenadora conta sobre o dia da pesagem. “Fazemos a oração, pesamos, e acompanhamos as crianças, por isso damos o nome de Celebração da Vida a esse dia.”

Neste ano, a Pastoral de Rafard completa 13 anos de existência. Foi o Padre Edimundo de Lima Calvo quem fez o convite a ela para coordenar a pastoral. Na época, Toninha coordenava a catequese, o padre pediu para ela sair da catequese, outra pessoa foi colocada em seu lugar e ela assumiu a pastoral. “Éramos 25 colaboradoras, íamos para as ruas de casa em casa procurar as crianças, aprendíamos tudo na capacitação em Piracicaba. E toda 1ª terça-feira do mês, temos reunião na diocese de Piracicaba para aprender coisas novas e levar os relatórios preparados pelas líderes”, explica.

Hoje, em Rafard, são aproximadamente 110 crianças e 12 gestantes acompanhadas mês a mês nas 2 comunidades católicas, a de Nossa Senhora Aparecida, na Popular e a de Nossa Senhora de Lourdes no Centro, onde há mais crianças. A Diocese de Piracicaba abrange 50 paróquias, dentre 15 cidades da região, que hoje contam com 50 coordenadoras, 792 líderes atuantes e capacitadas, 318 gestantes e 8100 crianças inscritas.

No mês de abril as coordenadoras participaram de um seminário de dois dias quando foram discutidas as dificuldades no atendimento da saúde pública. Para a coordenadora, a grande dificuldade da pastoral é atingir as 600 crianças do município de Rafard. Ela comenta que não consegue atender a todas, nem 10% dessas crianças, pois precisa de mão de obra, especialmente para atingir bairros mais afastados, como o Sete Fogões, na zona rural, e outros.

Toninha diz que se tivesse mais líderes, o trabalho seria mais amplo. Ela enfatiza que a pastoral não tem religião e que quem quiser trabalhar, é só procurá-la. Completa que capacita qualquer pessoa que estiver disposta a ser voluntária, e que não é muito trabalho. “Uma vez por mês é feita a visita e se faz a celebração da vida com algumas festas para as crianças. As pessoas adoram ajudar e dar presentes”, fala.

A Pastoral da Criança existe em mais de 20 países. Em todos, o trabalho é voluntário. A pastoral é a grande responsável pela diminuição na mortalidade infantil no Brasil. Quando a Diocese de Piracicaba iniciou seu trabalho em 1987, a mortalidade infantil na região era de 33,5%, hoje esse percentual é de 11,9%. Toninha conta que este é seu último ano como coordenadora da Pastoral em Rafard. Ela diz que vai sentir muito, pois são muitos anos, mas que agora apenas fará a capacitação das líderes.

“Minha família me diz que quando eu sair da pastoral morrerei. É muito gratificante ver as crianças que a gente ajudou hoje grandes e fortes”, diz a coordenadora e completa: “este é o trabalho da pastoral da criança, ajudar quem precisa”.

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